PANDEMIA E VOLTA ÀS AULAS

DENTRO DE CASA

O período de isolamento social é bem diferente das temporadas de férias escolares. Durante o confinamento em razão da pandemia, a presença do adulto tem sido muito mais constante na vida da criança. Tornou-se comum trabalhar de casa, e não foram poucas as pessoas que perderam o emprego.

A criança, assim, ficou mais próxima dos pais/responsáveis no tempo em que as famílias precisaram se isolar. Toda a atenção se voltou para ela, que deixou de conviver com outras crianças – como ocorria em sala de aula, onde compartilhava com os colegas a atenção da professora.

Até nas aulas remotas o foco está sobre a criança: por meio da tela do celular ou do computador, a professora dirige-se e olha somente para ela.

O mundo da criança se fechou em uma rotina restrita.

JORNADA DE READAPTAÇÃO: TRANSIÇÃO CASA-ESCOLA

E agora? Como vai ser? Como preparar as crianças?

Lembra-se da grande jornada de adaptação que acontece nas escolas todo início de ano letivo?

Pois é, vamos para mais uma, mas com um desafio ainda maior quando as aulas presenciais retornarem.

DICAS PARA OS PROFESSORES

  • Procure saber com os responsáveis se a criança perdeu alguém próximo em consequência da Covid-19. Nessa circunstância, ela estará bem mais sensível que as demais e vai demandar um olhar mais cuidadoso.

Antes do retorno:

  • envie fotos dos dias em que todos estavam na escola;
  • escolha fotos das instalações físicas da escola (sala de aula, pátio, playground, biblioteca, entre outras). Dessa maneira a criança retomará o vínculo com a instituição, além de reavivar boas lembranças do tempo que passou lá;
  • faça um vídeo convidando todos os alunos para um momento interessante que vocês irão promover no dia do retorno. Deixe o suspense no ar. Quando a data estiver se aproximando, faça novamente o convite, dando dicas do que vai acontecer e dizendo que essa novidade os aguarda em sala de aula;
  • caso tenha possibilidade de ir à escola, faça um vídeo na sala de aula, recordando os espaços de cada um. Exemplo: as cadeiras em que costumam sentar, o armário onde guardam o material escolar, as latinhas onde guardam os lápis de cor;
  • faça a chamada como se as crianças estivessem lá, e assim por diante…

Essas dicas auxiliam a criança na proximidade com a escola e podem amenizar a ansiedade e a angústia do retorno.

FAREMOS COMO DA PRIMEIRA VEZ, MAS AGORA COM UMA BAGAGEM MUITO MAIOR DE PACIÊNCIA E COMPREENSÃO.

A VOLTA ÀS AULAS

O passo de entrada na escola continua sendo um marco importante na vida das crianças.

Lembrando que temos uma vantagem de que no começo do ano não dispúnhamos: as crianças já conhecem o espaço, a professora, os colegas e as pessoas que ali trabalham. Algumas por não estarem no primeiro ano de escola, outras porque tiveram a oportunidade de contato pelo WhatsApp ou outro meio virtual.

Na escola, a criança encontrará um ambiente propício e preparado para o reencontro. A seguir, algumas sugestões para que o momento ocorra de forma mais tranquila.

REVIVENDO ESPAÇOS E RELAÇÕES

Antes do início das aulas, leve a criança para passear na rua da escola. Lembre com ela a estrutura física do lugar: salas de aula, banheiros, pátio, sala dos professores. Se possível, visite o site da instituição e explore com a criança o mobiliário, os atrativos, as cores do ambiente escolar. Relembre os espaços que ela dividia com os colegas.

Nessa navegação virtual, acesse o pátio e os brinquedos que lá existem. Ressalte o quanto as pessoas da escola pensam em cada detalhe para deixar os espaços alegres e convidativos.

Peça à criança que grave um vídeo ou áudio contando para a professora como foi divertido o passeio pelo site da escola.

A professora, ao tomar conhecimento desse passeio, pode sugerir que mais alunos façam o mesmo. Com essa “excursão virtual”, a criança recorda os momentos que passaram juntos e se reaproxima do ambiente escolar, ainda que somente em seu imaginário. Isso pode contribuir para sentir-se mais segura e aberta à aproximação no retorno às aulas.

No primeiro dia, logo na entrada da escola, procure realçar os aspectos capazes de tornar a experiência especial para a criança: enalteça os enfeites que os professores construíram somente para a chegada dos alunos e mostre como as pessoas da escola estão felizes em recebê-los. A criança se sentirá mais segura ao perceber o quanto seus responsáveis confiam e estão satisfeitos com o local em que ela ficará na ausência deles

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O CONFLITO DA SEPARAÇÃO

Mesmo que os adultos saibam da importância da escola, os primeiros dias de retorno às aulas geram muita ansiedade, tanto neles próprios quanto nas crianças. Esse sentimento se revelará ainda mais forte devido ao longo período circunscritos ao ambiente familiar, em decorrência da pandemia.

Para a criança, afastar-se do seio familiar pode gerar conflitos. Sua atenção será novamente dividida com vários colegas e adultos.

As atividades e as regras se restabelecem, e são bem diferentes daquelas a que ela estava habituada dentro de casa. Por isso, são necessários tempo e prática até que a criança se acostume à nova rotina escolar. Nessa fase, toda paciência e tranquilidade são fundamentais.

A esse período de integração ao ambiente escolar chamamos “período de adaptação”.

VAMOS AGIR COMO SE FOSSE O PRIMEIRO DIA NA ESCOLA

Um dos principais medos que a criança sente ao enfrentar o novo desafio é ser esquecida na escola. Isso porque ela ainda não detém conhecimento de vida suficiente para assegurar-se de que voltará para casa todos os dias. Boa estratégia para diminuir o stress dos pequenos é iniciar a rotina escolar por um intervalo de tempo menor que o período completo de aula, isto é, começar com poucas horas e aumentar o tempo de permanência de forma gradual.

 Algumas crianças podem sentir mais os impactos do período de adaptação, principalmente quando estão passando por outros momentos conflituosos – como o nascimento de um irmão, morte na família, perda de um animal de estimação, separação dos pais, mudança de casa ou de cidade. Nesses casos, é importante que os responsáveis entrem em contato com a escola e relatem a situação, para que os educadores fiquem cientes e possam planejar o acolhimento da criança conforme as necessidades dela.

 Outra questão relevante no período de nova adaptação é a postura do responsável. Ele precisa estar seguro e firme no momento de deixar a criança na escola. Nesse sentido, dizer que confia na professora é importante ponto de partida, bem como chamá-la pelo nome a fim de reatar o vínculo, a proximidade, e assim transmitir à criança mais segurança.

 É importante também não prolongar o momento da despedida e evitar que a criança perceba qualquer tipo de sofrimento, angústia ou insegurança da parte do adulto na hora da separação. As crianças são excelentes leitoras de sinais: ouvem e observam tudo à sua volta. Um olhar marejado, ou o receio de descê-la do colo como se a tivesse protegendo de algo, ou ainda uma conversa com a professora sobre os medos e anseios que a criança ou o próprio adulto estejam sentindo, certamente serão percebidos e vão impactar o processo de adaptação.

 Como acontece em todo processo de mudança, é natural que os responsáveis pela criança sintam ansiedade e sejam tomados de emoções intensas. Todavia, caso não seja possível contê-las, é muito importante que sejam extravasadas em espaço reservado, sem a presença da criança.

É A SEGURANÇA DO ADULTO QUE DEIXARÁ A CRIANÇA TRANQUILA NA ESCOLA

O conflito da separação pode durar alguns dias. Com o passar do tempo, porém, a criança vai perceber que o adulto sempre a estará esperando ao término da aula.

Caso o responsável tenha dúvida ou preocupação, deve entrar em contato com a equipe pedagógica da escola, que está capacitada a auxiliá-lo e orientá-lo sobre como agir nesse período delicado.

CONFIAR NA ESCOLA É A CHAVE PARA O FORTALECIMENTO DA SEGURANÇA DA FAMÍLIA E PROPORCIONA CONDIÇÕES PARA UMA APRENDIZAGEM BRILHANTE E EFICAZ.

Como parte da formação acadêmica e humana da criança, a escola conta com profissionais habilitados a identificar comportamentos que destoem da turma ou da própria postura habitual do aluno. Nesse contexto, eventuais alterações comportamentais podem revelar a necessidade de um olhar mais atencioso de profissionais dentro ou fora da escola.

A identificação de casos assim logo no início muitas vezes possibilita à criança superar a dificuldade pela qual está passando de maneira rápida e sem maiores consequências.

O professor pode notar situações que a família no dia a dia nem sempre percebe, por já serem corriqueiras no cotidiano da criança.

Quando os responsáveis são chamados à escola, é importante que compareçam e atentem aos relatos apresentados. Os profissionais da instituição podem sugerir, por exemplo, consultas a especialistas como oftalmologista, pediatra, psicólogo, psicopedagogo, psiquiatra, fonoaudiólogo, entre outros. A família deve sentir o apoio da escola, e vice-versa. Todos têm como foco o êxito e o bem-estar da criança.

ESCOLHENDO A ROUPA DO RETORNO À ESCOLA

É interessante que a criança participe ativamente de toda a rotina construída em torno do período de adaptação, até mesmo da escolha da roupa que vestirá no primeiro dia de aula.

Uma boa dica é apresentar-lhe duas alternativas de roupa. Com menos opções, fica mais fácil para ela escolher e se evitam demorados períodos de indecisão, além de se evitar também a opção por trajes inapropriados e mesmo os indesejáveis episódios de birra.

Caso a escola tenha uniforme, mostre à criança o dela. Exiba a logomarca da instituição. Passe o dedo da criança sobre cada letra do nome da escola e leia-o em voz alta. Exalte de maneira positiva os trajes, deixando claro para a criança e para todos os familiares que ela tem uma roupa especial para ir à aula.

Neste momento ímpar que estamos vivendo, vamos dar as mãos e acreditar que ISSO TUDO VAI PASSAR.

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